sexta-feira, 8 de julho de 2011

Críticas a "Relíquias da Morte - Parte 2" do G1 e de Ana Maria Bahiana são lançadas

CRÍTICA DE HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 2
Por Ana Maria Bahiana do UOL Entretenimento


No adeus de Harry Potter, o poder da vida e a magia do cinema

A morte e os mortos tem um papel de destaque no derradeiro Harry Potter, parte II do último livro da saga concebida por J.K.Rowling, Harry Potter e as Reliquias da Morte. É um tema apropriado para o fim de um ciclo, a jornada de mais de uma década de um herói que, com certeza, influenciou e povoou os sonhos de uma geração.

Como algumas gerações anteriores – as que cresceram à sombra do ciclo O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, obra que com certeza é uma influência no trabalho de Rowling – os contemporâneos da jornada de Harry foram levados a debater a importância das escolhas individuais, o sentido da amizade e da lealdade e, em última análise, a natureza do bem e do mal. Como Frodo em Senhor dos Anéis, Harry não é excepcionalmente forte, inteligente ou poderoso – seu destino foi selado pela mão do acaso, e sua natureza heróica deve ser provada ou rejeitada pelas opções que fará nas encruzilhadas de sua trajetória. E, como ele, seu chamado não é para obter algo, mas para destrui-lo: a recusa de um tipo de poder para que se possa, amplamente, abraçar seu avesso.

Todos esses temas estão expressos e sintetizados em Harry Potter e As Relíquias da Morte – parte II fecho perfeito para o ciclo de oito filmes que, consistentemente, adaptou a obra de Rowling para a tela. Alguns foram melhores que outros, mas mesmo o primeiro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, que hoje parece ainda mais tosco, tem o mérito de ter escalado, brilhantemente, o elenco essencial que deu corpo a Harry, Ron, Hermione, seus colegas, adversários e mestres.

Reliquias II pode ser lembrado como um dos melhores. Mais uma vez, fãs do texto de Rowling podem estranhar as simplificações e liberdades que Steve Kloves – roteirista de sete dos oito filmes, escolhido pessoalmente pela autora – tomou com a obra. Mas é sempre bom repetir o mantra: livro é livro, filme é filme.

O essencial – o confronto entre Harry e Voldemort, que é, basicamente, o encontro de Harry com seu destino – precisa ser expressado visualmente dentro de um período limitado de tempo. Imagens e gestos precisam ser conjurados para concretizar o que, na página, são descrições e adjetivos.

Kloves e o diretor David Yates – que se desincumbiu bravamente dos quatro últimos títulos da série – ancoraram o episódio final de Harry Potter numa série de sequências de ação empolgantes, um contraste com o ritmo mais lento da primeira parte: a invasão dos caixas fortes do banco Gringotts, o ataque a Hogwarts, o confronto final entre Harry e Voldemort.

O clima aqui é de urgência e resolução – com um poderoso interlúdio na estação de King’s Cross do metrô de Londres, perfeito em espírito e resolução, que ilustra bem um outro ponte forte da série, a integração excepcional entre desenho de produção, fotografia e efeitos.

Este talvez seja o mais emotivo de todos os Harry Potters, provando o quanto vale a qualidade de um elenco de primeira linha, encabeçado por mestres como Alan Rickman (Severus Snape), Ralph Fiennes (Voldemort) e Michael Gambon (Dumbledore).

E no final, estamos de volta a Hogwarts, encerrando um ciclo e começando outro, como a vida, que se estende sempre além da morte.

Precisava ter sido dividido em duas partes? Provavelmente não. Precisava ser em 3D? A não ser para espectadores que realmente apreciam cobras avançando em sua direção e objetos mágicos voando sobre as poltronas, não faz muita diferença. A magia de Harry Potter é obra de suas ideias e não de seus truques.


CRÍTICA DE HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 2
Por Gustavo Miller do G1


Longa mostra como produção da série amadureceu em todos os sentidos. 'As relíquias da morte, parte 2', chega aos cinemas em 15 de julho.

Quando a Warner Bros. revelou que “As relíquias da morte”, sétimo e último livro da saga “Harry Potter” seria dividido em dois, logo se pensou que o estúdio buscava faturar ainda mais com sua lucrativa franquia que arrecadou simplesmente US$ 6,4 bilhões pelo planeta. E não era mentira. Mas tal sensação é deixada para trás assim que se assiste à segunda parte do derradeiro filme inspirado na série literária de J.K. Rowling.

“Harry Potter e as relíquias da morte – parte 2”, cuja estreia mundial é 15 de julho, fecha com brilho a história começada no cinema dez anos atrás e mostra que a empresa não poderia ter feito outra opção melhor a não ser dividir o capítulo final em dois. Seja para ela ou para os fãs.

É o trabalho mais consistente de todos e mostra como a produção amadureceu em todos os sentidos desde “A pedra filosofal”. É um filme emocionante, assustador, divertido, bonito e, principalmente, muito bem dirigido por David Yates, o responsável pelas quatro últimas adaptações. Na sessão realizada para a imprensa nesta sexta-feira (8) foram muitos os soluços ouvidos ao longo de duas horas.

(Atenção: a partir daqui o texto contém spoilers)
“Relíquias 2” traz o esperado embate final entre Harry (Daniel Radcliffe) e Lorde Voldemort (Ralph Fiennes), o bruxo das trevas. Mais uma vez com a ajuda de Hermione (Emma Watson) e Ron (Rupert Grint), ele precisa encontrar e destruir as horcruxes que contêm a alma de Voldemort e o tornam imortal. Harry tem o dom de ouvi-las, mas a última é um quebra-cabeça e está guardada dentro de Hogwarts, agora sob a batuta - ou varinha - de Snape (Alan Rickman).

É na escola, aliás, que é retratado o campo de batalha a partir do retorno do trio após meses de ausência. Os professores e os alunos precisam escolhem o lado em que ficarão e se, afinal, vale a pena lutar ou não pelo futuro. Os embates em alguns momentos são violentos e há vários mortos expostos, o que fez a censura do filme ser classificada para 14 anos - antes da sessão fechada, a Warner comemorou a reclassificação original de 12 anos.

O filme tem diversos destaques. Os efeitos especiais, pela primeira vez em 3D, é um deles, assim como a atuação de alguns personagens secundários. A ação e a narrativa se concentram basicamente em Harry, mas isso não impede que aqueles que ficaram um pouco largados nos filmes passados retornem com brilho - caso da professora McGonagall (Maggie Smith).

Matthew Lewis como Neville Longbottom também é digno de nota. A Warner Bros. trouxe o ator ao Brasil no ano passado para divulgar a primeira parte de “Relíquias”, e dessa vez quem vem é Tom Felton, o vilãozinho Draco Malfoy. Dada a importância de cada personagem nos dois longas, a opção ideal seria a inversa.

Yates tem méritos de apresentar aqui uma história que não deixa perdido aquele espectador que não leu os livros ou que tem dificuldades de juntar as peças após oito filmes. O que são essas horcruxes mesmo? Quem é essa tal Bellatrix Lestrange? Está tudo mastigadinho, mas quem é fã nível hardcore também não irá se decepcionar.

O melhor exemplo vem justamente na parte mais importante do filme, quando Harry (Daniel Radcliffe) colhe uma lágrima de Snape (Alan Rickman) e enxerga o seu passado, literalmente, ao mergulhá-la na penseira. A cena é praticamente um best-of de tudo o que envolve a saga, ao mesmo tempo em que revela o destino de Harry e o porquê de ele ser o escolhido para lutar contra Voldemort.

A filmagem traz narrativas cruzadas que mostram como os pais de Harry, Tiago e Lilian, conheceram-se, e também revela uma faceta até então desconhecida de Snape. Os efeitos e os recursos de flashback e flashforward que se misturam são tão bem gravados que será impossível ler o livro depois e se deparar com tal passagem sem a imagem do filme na cabeça – um mérito e tanto que os longas da série literária conquistaram ao longo dos anos.

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